ARDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Uatumã é uma Unidade de Conservação localizada na região nordeste do Estado do Amazonas, entre os municípios de São Sebastião Uatumã e Itapiranga. A reserva possui uma área total de 424.430 hectares e compreende 20 comunidades ribeirinhas instaladas nas margens do Rio Uatumã e seus afluentes.

De acordo com o último diagnóstico socioeconômico, realizado em 2006 pelos órgãos gestores, a RDS tem aproximadamente 1.300 moradores, distribuídos em cerca de 250 famílias.

Biodiversidade

Flora

Assim como toda a região central da Amazônia, a RDS do Uatumã apresenta grande diversidade vegetal. A topografia da Reserva é relativamente simples, originando uma paisagem bastante homogênea, dividida em duas características principais: a “terra firme”, composta de áreas planas e/ou dissecadas por igarapés; e as “planícies de inundação”, predominantemente cobertas por variações de Floresta Ombrófila Densa, localmente tratada por “igapó”, e parcialmente recobertas por manchas da vegetação de Campinarana e Campina, as “paleovárveas”.
Merecem destaque algumas espécies de uso que foram diagnosticadas em grande quantidade em algumas áreas amostrais da reserva, como bacaba, pintadinha, bromélias, sucupira, jauari, maçaramduba, breu, entre outras. Estas espécies possuem um grande potencial para manejo dentro da RDS e podem se tornar – desde que sejam realizados investimentos e estudos mais aprofundados – uma fonte de renda para os moradores locais.

Os igapós (florestas inundadas periodicamente por água preta) não cobrem grandes extensões dentro da RDS do Uatumã, sendo mais relevantes no baixo Uatumã e Jatapú. Em algumas partes podem ser encontradas florestas de igapó com baixa diversidade vegetal, mas em outras partes elas constituem um importante e diferenciado ecossistema, imprescindível para a sobrevivência de muitos animais e plantas específicas desse ambiente.
As florestas densas apresentam uma maior diversidade florística e dentro da RDS do Uatumã ocupa terrenos em diferentes topografias e altitudes, como planícies baixas, declives acentuados e grandes platôs, além de terrenos com diferentes tipos de solo (arenoso a argiloso).

As campinas e campinaranas são abundantes, mas de grande fragilidade, principalmente por estarem sobre solos de areia branca e apresentarem espécies endêmicas. As campinas, devido à sua beleza cênica, diferenciada das demais paisagens da reserva, tem um expressivo potencial turístico, devido a grande quantidade de bromélias e orquídeas existentes.

Fauna

Na pesquisa sobre fauna feita para a elaboração do Plano de Gestão da RDS, somando-se todos os registros, foram registradas 26 espécies de mamíferos, divididos em quinze famílias e seis ordens. Algumas espécies presentes na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, como a jaguatirica, a onça pintada e o tamanduá bandeira, são espécies de ocorrência na região.

Entre os mamíferos aquáticos, podemos encontrar na RDS o boto vermelho (Inia geoffrensis); o boto tucuxi (Sotalia fluviatilis); o peixe-boi (Trichechus inunguis); a ariranha (Pteronura brasiliensis) e a lontra (Lontra longicaudis). A relação desses animais com os comunitários não é totalmente pacífica, uma vez que botos, lontras e ariranhas frequentemente atacam os peixes capturados nas malhadeiras, causando prejuízos financeiros aos moradores.

No que diz respeito à ictiofauna da região, análises realizadas nos igarapés tributários do rio Uatumã indicaram espécies comuns a outras regiões, como a Amazônia Central e igarapés tributários do Rio Nhamundá e Trombetas. Não foram registradas espécies de grande interesse comercial, como pirarucu, matrinxã e jatoarana. No entanto, moradores da RDS do Uatumã indicaram que tais espécies ocorrem na região. Espécies de interesse ornamental, como Copella nigrofasciata, Carnegiella strigata e Nannostomus marginatus, foram capturadas em baixas densidades; há relatos da presença de acarás-disco, porém, estes não foram coletados durante as excursões.

Hoje, as únicas espécies autorizadas para comercialização na RDS do Uatumã são o jaraqui e jatoarana. Os resultados dos levantamentos indicam que é recomendável apenas a pesca artesanal em pequena escala, para subsistência das comunidades locais ou para comércio local.

A captura de quelônios – para consumo e eventual comercialização – faz parte do cotidiano dos ribeirinhos do Uatumã. A pressão sobre esses animais dentro da RDS não difere da situação em toda a Amazônia, mas a situação se agrava quando se considera a espécie Tartaruga da Amazônia (Podocnemis expansa), pois apenas um exemplar jovem foi registrado nos estudos realizados para Plano de Gestão da reserva.

O lago Maracarana (localizado na região de mesmo nome), que durante a pesquisa apresentou a maior população de quelônios (57%), é protegido pelos moradores da comunidade em parceria com a Eletrobras – Manaus Energia desde o ano de 1985, e desde 1998 a área foi decretada como lago de preservação pelo IBAMA. Nele não é permitido o uso de malhadeiras e a perseguição aos quelônios, protegendo ainda os tabuleiros e os filhotes.